Foto: Claudiney Sandro / Dfotos

A RN 1500, a segunda maior prova de rally cross-country do Brasil, acontece entre os dias 15 e 20 de abril, nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, abrindo a temporada 2024 do rally brasileiro. A Tribuna do Norte entrevistou o organizador da competição, Kleber Tinôco, que revelou detalhes da prova.

O Rally RN 1500 é conhecido por suas paisagens exuberantes e seu percurso desafiador. Como você descreveria a experiência que os competidores e espectadores podem esperar desta edição?

Nós sempre tivemos uma preocupação muito grande em relação ao roteiro, até porque o RN 1500 é considerado como a prova mais bonita do Brasil, justamente por ter uma diversidade de terrenos enorme. Então eu acho que está mantida essa característica, com uma prova dura, difícil, exigente, de muita navegação, mas com um roteiro maravilhoso, um roteiro desafiador de fato, principalmente em função dessa enorme variedade de terrenos. Eu diria que é tudo feito de propósito, os roteiros são escolhidos a dedo, até para que eles, os competidores e a imprensa do mundo inteiro conheçam o potencial que nós temos aqui na região para esse tipo de prova.

Com mais de 1000 km de prova e seis dias de evento, quais foram os principais desafios enfrentados pela equipe organizadora na preparação deste Rally?

Uma prova desse tamanho é sempre muito difícil de organizar, pois a gente percorre aí uma quilometragem elevada acima de mil quilômetros, tudo praticamente por estradas de terra. Esse ano vamos cruzar 31 municípios, que precisam ser comunicados, solicitado apoio, pedir autorização para circular nas suas estradas de terra, avisar a população, enfim. O desafio é enorme, é necessário uma logística bem feita e organizada para que tudo funcione a contento.

Quais são algumas das iniciativas sustentáveis e de responsabilidade social que serão realizadas durante o Rally RN 1500 este ano?

Nós sempre tivemos essa preocupação da sustentabilidade, de cuidar das causas ambientais, sociais, econômicas, enfim. E nessa edição não é diferente. A gente está fazendo um trabalho com artes para as pessoas carentes. A gente tem programado mais um plantio de árvore, tem feito trabalho com as escolas das cidades. Sempre a gente solicita uma parceria para que os alunos possam ter um dia diferente, conhecer como funciona o rally. Além disso tudo, a nossa equipe médica está sempre trabalhando e fazendo atendimento junto à população naqueles lugares lá mais distantes, onde praticamente é quase impossível ter uma espécie de atendimento em função da condição de cada morador daquela região. A preocupação ambiental ainda inclui o licenciamento da prova há mais de uma década. A gente não usa estradas que já não existam, a gente está sempre circulando por lugares onde há circulação normal de veículos, seja para qualquer comunidade, seja lá em função de que condição, de que o caminho seja utilizado.

Como a organização planeja envolver as comunidades locais ao longo do percurso?

A área de segurança, ela engloba muita coisa. Ela engloba tanto a escolha do roteiro, por exemplo, evitando lugares que sejam muito estreitos, lugares que tenham muitos animais soltos, animais criados dentro do mato, digamos assim, que ainda é possível de encontrar. A gente conta com toda essa organização, essa estrutura de comunicação junto às comunidades, às populações, tudo nosso é avisado às comunidades, é avisado às prefeituras, é avisado cada fazenda, cada morador, cada casinha constante do percurso, recebe uma comunicação do Rali explicando tudo o que vai acontecer naquele dia. Em relação à segurança dos competidores, nós temos uma equipe médica que está conosco há mais de 15 anos, que tem uma experiência muito grande nesse tipo de evento. São 12 profissionais da área médica, distribuídos em quatro carros de resgate avançados. São veículos 4×4, com materiais e equipamentos suficientes para fazer até pequenas cirurgias dentro do mato, digamos assim, e ainda mais um helicóptero de suporte, que é o nosso primeiro atendimento. Temos equipamentos de monitoramento eletrônicos, que através deles é possível saber em cada ponto cada competidor se encontra, se ele parou, se ele voltou a andar, etc. Há uma espécie de botão para avisar se aquela parada é resultado de uma queda, de um acidente ou se ele precisa de um resgate mecânico, até isso a gente tem. Então a gente tem aprimorado e tentado cada vez mais, utilizando os equipamentos certos e utilizando muita tecnologia, garantir a segurança de comunidade e competidores.

O Rally é uma celebração não apenas do esporte, mas também da cultura e das paisagens do Nordeste. Como a equipe busca destacar esses aspectos no evento?

O RN 1500 é o único rali realizado no Nordeste, de origem nordestina, dirigido por nordestinos. Com 90% das pessoas que trabalham são nordestinas, ele acontece nas cidades e nos estados do Nordeste. E a gente tem sempre essa característica, tem um pertencimento aí, porque o Nordeste é sem dúvida uma região maravilhosa para os raleis e é muito bonita. Então, o que é que a gente tem feito a cada ano, um mote, e o mote desse ano é o Nordeste é a nossa casa. É mostrando que nós temos lugares maravilhosos, que o ralei é muito bonito, que é considerado por todos como a melhor e a mais técnica prova do país. E não é de graça, porque há um envolvimento muito grande, a gente consegue ter um astral muito positivo de todos que cercam ali, que estão presentes na prova de alguma forma. E assim, o mote, como eu disse esse ano, é o Nordeste é a nossa casa. Então a gente tem cara de nordeste, linguagem de nordeste, paisagem de nordeste, tudo nordestino. A gente larga num lugar maravilhoso que é São Miguel do Gostoso, a gente tem um prólogo num lugar bacana demais que a curva do Brasil e a simbólico como Toros, nós passamos no lugar onde tem o marco do nosso descobrimento, nós vamos até Guamaré, passamos em Galinhos, são lugares lindos, a gente atravessa a região serrana ali de Lages no centro do estado, vamos a Serro Corá, atravessamos o Seridó, que é um lugar maravilhoso e icônico já para as pessoas do rali, passamos em Acari, passamos em seguida Parelias, aí subimos a serra em direção a Patos, chegamos na bela Vila de Picotes, em São Mamé, São Mamé e na PB, que é um lugar lindo, enfim, o nordeste é nossa casa.

Tribuna do Norte

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