Retomada dos voos da Azul reacende expectativa de crescimento econômico e conexão aérea. Foto: ismael souza

As obras de reforma e ampliação do Aeroporto Dix-sept Rosado, em Mossoró, avançam em ritmo acelerado e já movimentam expectativas da classe produtiva e empresarial da região Oeste do Rio Grande do Norte. Com investimentos estimados entre R$ 70 milhões e R$ 80 milhões, conduzidos pela Infraero, o equipamento é visto como peça estratégica para impulsionar a economia regional, fortalecer o ambiente de negócios e abrir novos mercados para a produção local, especialmente a fruticultura irrigada.

A modernização do terminal contempla a construção de um novo terminal de passageiros, recapeamento e reforço da pista de pouso e decolagem, reforma das pistas de táxi e do pátio de aeronaves, implantação de nova sinalização e balizamento noturno, além da ampliação das áreas de embarque e desembarque. As melhorias permitirão que o aeroporto receba aeronaves maiores, como Boeing 737 e Airbus A320, ampliando a capacidade operacional do equipamento.

A expectativa do setor produtivo é que os voos comerciais sejam retomados já no segundo semestre deste ano. Mais do que a volta das operações para passageiros, empresários e representantes do comércio defendem que o aeroporto também seja preparado para receber voos cargueiros, sobretudo para atender a cadeia da fruticultura irrigada, uma das principais atividades econômicas do Oeste potiguar.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Mossoró, Damásio Leite, afirmou que representantes da classe empresarial participaram de visitas técnicas e reuniões com dirigentes da Infraero para discutir não apenas a estrutura do terminal, mas também oportunidades de negócios e ampliação das operações logísticas do aeroporto. “Tivemos uma reunião com o superintendente da Infraero para explanar sobre a obra e abrir as portas para a classe empresarial para aqueles que desejarem empreender na área do aeroporto. Não apenas dentro da área de embarque e desembarque, mas em toda a área do aeroporto. A Infraero quer que o aeroporto tenha movimento e comércio”, afirmou.

Segundo Damásio, durante os encontros o setor produtivo apresentou uma pauta considerada prioritária: a implantação de voos de carga voltados ao escoamento da produção agrícola da região, especialmente frutas destinadas à exportação. Atualmente, grande parte dessa logística é feita pelo Ceará, através do Aeroporto de Fortaleza.

“Mossoró e região enviam, mensalmente, algo em torno de 10 milhões de dólares em exportação de frutas pelo Aeroporto de Fortaleza. Quem ganha com isso é o Ceará. Seria muito importante que o Rio Grande do Norte tivesse voos cargueiros para frutas ou até voos mistos, de passageiros e cargas, com destino à Europa”, explicou.

A preocupação do setor produtivo envolve principalmente frutas mais sensíveis ao transporte marítimo, como o mamão, que necessita de maior rapidez logística para manter a qualidade até os mercados internacionais. A avaliação dos empresários é que a estrutura aeroportuária de Mossoró poderá reduzir custos, acelerar o escoamento e fortalecer a competitividade do agronegócio potiguar no mercado externo.

Damásio revelou ainda que existe disposição da classe empresarial para dialogar diretamente com companhias aéreas e apresentar estudos sobre o potencial econômico da região. “Pedimos que a Infraero abra esse canal com as empresas aéreas. Os empresários estão dispostos até mesmo a ir a São Paulo conversar com essas companhias e mostrar a capacidade econômica de Mossoró e do aeroporto”, destacou.

Retomada
Além da movimentação em torno dos voos cargueiros, cresce a expectativa pela retomada dos voos comerciais da Azul Linhas Aéreas. Em abril, o Governo do Estado confirmou o retorno da operação entre Mossoró e Recife, principal hub da companhia no Nordeste. A previsão inicial é de dois voos semanais utilizando aeronaves ATR-72, permitindo conexões com cerca de 70 destinos nacionais e internacionais.

O anúncio reacendeu a esperança do setor empresarial após a interrupção das operações comerciais em março de 2025, situação que gerou prejuízos para a economia regional. A expectativa também é que outras companhias possam operar futuramente no município, como a Gol com os Boeings 737, ampliando a malha aérea e consolidando Mossoró como um polo logístico e econômico do interior nordestino. “Causou grande frustração quando os voos foram descontinuados. Agora há uma expectativa muito grande pela retomada. O novo aeroporto vai oferecer conforto aos passageiros e mais segurança operacional, inclusive para operações noturnas. O terminal será climatizado, terá esteiras de bagagem e estrutura moderna para atender até 300 passageiros”, concluiu Damásio.

Tribuna do Norte
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