Foto: Divulgação

 

Após analisar cerca de dois mil documentos, o Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) concluiu que o cão comunitário Orelha, encontrado morto em janeiro deste ano na Praia Brava, em Florianópolis, não morreu em decorrência de agressões praticadas por adolescentes. Segundo o órgão, o animal apresentava um quadro grave de saúde. Diante disso, as promotorias responsáveis solicitaram o arquivamento do caso em manifestação enviada à Justiça na última sexta-feira (8).

 

No início das investigações, a Polícia Civil informou que quatro adolescentes teriam agredido Orelha e também o cão Caramelo, outro animal comunitário da região. Com o avanço da apuração, apenas um adolescente passou a ser apontado como suspeito de agredir Orelha, enquanto outro grupo foi investigado por uma suposta tentativa de afogamento de Caramelo, que sobreviveu.

 

Em fevereiro, a Polícia Civil chegou a pedir a internação do adolescente suspeito e indiciou três adultos por suposta coação de testemunhas. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

 

Ao receber o caso, no entanto, o Ministério Público solicitou novos esclarecimentos e pediu, inclusive, a exumação do corpo do animal para realização de novos exames periciais.

 

Também em março, o MP-SC abriu um inquérito civil para apurar a conduta do então delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, alvo de denúncias por possível abuso de autoridade e quebra de sigilo funcional. Na época, ele negou as acusações.

 

Com a conclusão da nova análise, baseada em laudos técnicos e imagens de câmeras de segurança, o Ministério Público afirmou que o cão e o adolescente investigado não estiveram juntos no mesmo local e horário, diferentemente do que apontava a investigação inicial da polícia.

 

Segundo os promotores, imagens do condomínio onde o adolescente mora e registros do sistema de monitoramento público mostraram uma diferença de aproximadamente 30 minutos entre os horários dos equipamentos.

 

Além disso, o MP destacou que, enquanto o jovem aparecia próximo ao deck da praia, Orelha estava a cerca de 600 metros de distância. As promotorias afirmaram ainda que imagens registraram o cão caminhando normalmente cerca de uma hora após a suposta agressão, sem sinais aparentes de dificuldade motora.

 

Os novos exames periciais também descartaram traumatismo craniano causado por violência. De acordo com o Ministério Público, a exumação não encontrou fraturas ou lesões compatíveis com agressões humanas.

 

Os laudos identificaram sinais de osteomielite, uma infecção óssea crônica, na região da mandíbula esquerda do animal. Segundo os promotores, as imagens mostraram uma lesão antiga e profunda, com inflamação e perda de pelos, compatível com um problema de saúde já existente.

 

O MP-SC informou ainda que não foram encontradas provas, imagens ou testemunhas que confirmassem agressões contra Orelha na Praia Brava. Conforme o órgão, a suspeita de maus-tratos ganhou força a partir de comentários de terceiros e publicações em redes sociais.

 

Relembre o caso

 

No caso envolvendo o cão Caramelo, o Ministério Público também descartou maus-tratos. As investigações apontaram que os adolescentes estavam apenas brincando com o animal na praia e que não houve tentativa de afogamento.

 

Imagens de monitoramento também afastaram a suspeita de que o cão teria sido arremessado dentro de um condomínio, mostrando apenas que os jovens conduziram o animal até o local.

 

Inquérito sobre coação foi arquivado

 

A Justiça também determinou o arquivamento do inquérito que investigava suposta coação relacionada ao caso. Segundo o Ministério Público, as ocorrências registradas em janeiro de 2026 envolviam apenas desentendimentos entre adolescentes e o porteiro de um condomínio, sem ligação direta com a investigação sobre a morte de Orelha.

 

De acordo com o órgão, não houve ameaça ou tentativa de interferência nas apurações, requisito necessário para caracterizar o crime de coação no curso do processo.

 

Estadão Conteúdo

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