O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (2) que não tem expectativas sobre o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), que começou nesta manhã. Lula disse esperar que seja respeitado o direito de Bolsonaro à presunção de inocência.
“O que eu espero é isso, que seja feita justiça, respeitando o direito da presunção de inocência de quem está sendo julgado. É só isso que eu desejo. Desejo para mim e para qualquer inimigo meu. Apenas o direito da presunção de inocência, para que o Brasil fique sabendo da verdade e apenas da verdade”, declarou Lula na saída do velório do jornalista Mino Carta, em São Paulo (SP).
O julgamento no STF apura a responsabilidade de Bolsonaro e outros sete réus no chamado núcleo 1 da trama golpista. O presidente disse que ninguém está sendo julgado “pessoalmente”.
“As pessoas têm apenas que ser verdadeiras. E contar os fatos. Ninguém precisa inventar coisíssima nenhuma. Até porque ninguém, não tem ninguém, ninguém de oposição falando as coisas. O que está acontecendo é que os fatos estão vindo à tona e as pessoas estão começando a perceber que período nefasto da história brasileira nós vivemos“, afirmou Lula, ao comentar delações de aliados do ex-presidente.
Lula também comparou o julgamento de Bolsonaro ao processo que enfrentou na Lava Jato. O petista foi condenado em julho de 2017 e ficou preso em Curitiba (PR) entre abril de 2018 e novembro de 2019. As acusações foram anuladas pelo STF em 2021, quando a Corte considerou que o então juiz Sérgio Moro agiu com parcialidade.
“Ninguém está julgando ninguém pessoalmente, ou seja, tem o processo, tem os autos, tem delações. Tem provas. E a pessoa que está sendo acusada tem o direito à presunção da inocência. Ele pode se defender, como eu não pude me defender. Eu não reclamei, não fiquei chorando, eu fui à luta. Se é inocente, prova que é inocente. Prova que não tem nada a ver com isso, que está de bom tamanho”, disse o presidente.
Lula reforçou que Bolsonaro pode utilizar sua defesa para apresentar sua versão dos fatos. “Ele pode se defender como eu não pude me defender e eu não reclamei, eu não fiquei chorando, eu fui à luta. Se é inocente, prove que é inocente, prove que não tem nada a ver com isso, está de bom tamanho”, afirmou.
Na entrevista, Lula voltou a dizer que espera que o país tenha acesso às informações verdadeiras. “Eu desejo para mim e para qualquer inimigo meu, apenas o direito à presunção de inocência para que o Brasil fique sabendo da verdade e apenas a verdade”, concluiu.
O julgamento no STF pode condenar Bolsonaro e outros sete réus acusados de participação em plano para um golpe de Estado.
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