RN terá diminuição dos ventos e o aumento da sensação térmica em setembro| Foto: Alex Régis

 

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos divulgou um relatório nesta quinta-feira (11) informando que o El Niño já começou. A expectativa de especialistas é de que o fenômeno possa se intensificar até o final do ano. O meteorologista Gilmar Bristot, da Emparn, avalia que, por enquanto, não existem impactos do fenômeno no RN, mas eles poderão ser sentidos a partir de setembro, com aumento da sensação térmica em até 1,5ºC.

 

No início desta semana, o Inmet emitiu uma nota alertando para o fortalecimento do El Niño no país, uma vez que as “condições para o desenvolvimento de um novo episódio” do fenômeno estão se desenvolvendo. As condições dizem respeito à manutenção da chamada anomalia mensal média da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região do Niño 3.4 (a área que mais pode provocar influências no Nordeste), que segue acima de 0,5ºC nas últimas quatro semanas. De acordo com o Inmet, um evento de El Niño é definido quando o Índice Oceânico Niño Relativo (RONI) permanece igual ou superior a 0,5 °C por, pelo menos, cinco trimestres.

 

O meteorologista Gilmar Bristot afirma que a expectativa é de que o El Niño eleve em até 2ºC a temperatura do Oceano Pacífico. De acordo com ele, o fenômeno deverá ter como principal efeito no Rio Grande do Norte a diminuição dos ventos e a elevação das temperaturas, o que, por enquanto, não tem ocorrido por aqui. “Esses efeitos ainda não são observados no estado. Temos atualmente a ocorrência de chuvas na região Leste com presença de ventos fortes, inclusive. Então, por ora, o El Niño não vai ter influência no RN. Ele só deverá chegar ao estado entre setembro e novembro”, pontua.

 

“O impacto será na diminuição desses ventos e, consequentemente, na sensação térmica, que poderá registrar aumento de algo em torno de 1,5ºC. Lembrando que, no período em que esses efeitos chegarão ao estado, as temperaturas giram, historicamente, em torno de 38ºC a 39ºC em algumas regiões do interior. E, embora o El Niño tenha como característica a escassez de chuvas no Nordeste, o Rio Grande do Norte não será afetado nesse sentido, uma vez que entre setembro e novembro praticamente não chove por aqui”, detalha o meteorologista.

 

No entanto, aponta, se após esse período o Pacífico continuar quente, pode haver bons índices de chuvas em janeiro e fevereiro de 2027, mas com o comprometimento do inverno de um modo geral ao longo do próximo ano. De acordo com a nota do Inmet publicada esta semana, com base nos dados observados no mês de maio e as projeções dos modelos de previsão, é possível inferir que o primeiro trimestre a atingir o limiar característico do El Niño será abril-maio-junho.

 

“A anomalia mensal média da Temperatura da Superfície do Mar na região do Niño 3.4 ficou próxima de superar as condições de neutralidade, revertendo o sinal negativo registrado em abril (–0,03 °C) para um patamar positivo de 0,49 °C em maio”, informou o Inmet na nota divulgada esta semana. Gilmar Bristot explica que a região do Niño 3.4 a que se refere o texto do Instituto de Meteorologia é a área que mais influencia o clima no Nordeste brasileiro.

 

O Niño 3.4 é uma região que fica na parte central do Pacífico, por isso, tem uma correlação com o Nordeste e com a América do Sul de um modo geral. Os dados do Inmet divulgados na última nota mostram que essa região está 0,7ºC mais quente do que a média para a época analisada”, afirma o meteorologista. Segundo o Instituto de Meteorologia, esse cenário sinaliza condições altamente favoráveis ao desenvolvimento e consolidação de um episódio de El Niño, com a persistência da tendência de aquecimento.

 

 

 

Tribuna do Norte

 

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