O Comitê de Valorização Feminina do Poder Judiciário do RN lançou na manhã desta quarta-feira (6/3), durante sessão ordinária do Pleno, a primeira edição do livro “Elas no Judiciário – Histórias Além dos Autos”. Este é o segundo volume da coleção de livros digitais que conta a história das mulheres dentro do Poder Judiciário potiguar.
Conheça os livros da série em:
Presidido pela desembargadora Lourdes Azevêdo, o Feminina realizou o lançamento da obra, que conta com 13 artigos escritos por mulheres do Poder Judiciário potiguar, durante a parte administrativa da sessão do Pleno, com a presença das demais integrantes do dispositivo e algumas colaboradoras da publicação.
Livro fala de vivências, muito além da rotina processual – enfatiza a desembargadora Lourdes Azevêdo, presidente do Feminina
“Esse segundo volume tem histórias de servidoras e magistradas que realizaram depoimentos sobre suas vivências fora do trabalho, além dos autos, como diz o próprio nome”, explica a magistrada de segundo grau. Quando questionada a respeito de um artigo que a marcou no livro, ela mencionou o escrito pela servidora da comarca de Martins, Zurisadai Lídna Silva Guedes, a respeito da magistrada Mônica Maria Andrade Figueiredo de Oliveira, falecida em 2022, lembrança permanente na memória daqueles que trabalharam com a profissional da Justiça.
A juíza Hadja Rayanne, organizadora da publicação, salienta que o Comitê Feminina vem trabalhando há um ano na coleta e edição desses artigos. “Esse é um livro que foi pensado como um espaço para que as mulheres do Poder Judiciário pudessem compartilhar ali os seus escritos, suas experiências, seus relatos, seus interesses. É um livro mais leve que o anterior, em que foi realizada pesquisa histórica extensa, bastante consistente. Nesse, nós trouxemos mais leveza, inclusive, temos crônicas, poesia e até relatos pessoais”, comenta.
A organizadora pontua que o livro, com apresentação da desembargadora Lourdes Azevêdo com prefácio de sua autoria, dedicado à Mônica Andrade, reforça este reconhecimento. “Essa magistrada passou pouco tempo no Poder Judiciário mas deixou uma marca de muita dedicação, de um profissionalismo memorável, e achamos que deveríamos fazer essa homenagem”.
A secretária-geral, Andréa Campos, que ingressou recentemente como membro do comitê, esteve no Pleno durante a solenidade. Disse considerar muito importante a iniciativa de que as mulheres tenham um espaço para contar suas histórias. “Porque a mulher, além da atividade profissional que tem, realiza muitas outras atividades, seja no lar, seja com a questão dos filhos, da casa. Então, esse livro vai retratar as dificuldades que nós temos enquanto mulher, desenvolver a nossa capacidade, nossas habilidades no trabalho, acumulando com as atividades que temos no nosso dia a dia”.

Juíza Hadja Rayanne ressalta que obra é espaço para compartilhar experiências de gerações de profissionais do TJRN
Agora desembargadora aposentada, Zeneide Bezerra esteve até setembro de 2023 como presidente do comitê, estando à frente na publicação do primeiro volume e na produção do segundo “Elas no Judiciário”. Ela também esteve presente para prestigiar o lançamento.
Histórias da vida
Maristela Cortez, servidora do Fórum Miguel Seabra Fagundes, colaborou com o livro ao enviar crônica sobre uma servidora com deficiência auditiva que utilizava a leitura labial para complementar a compreensão prejudicada pela sua falta de audição. Com criatividade e irreverência, a servidora publicou um livro durante a pandemia para manter-se ativa. No texto para a obra lançada nesta quarta, ela conta uma história que poderia se passar em um atendimento comum em todas as Unidades do Poder Judiciário norte-rio-grandense.
Servidora do Fórum Miguel Seabra, Maristela Cortez é uma das colaboradoras desta edição
Contrastando com o tom cômico e fictício do artigo anterior, mostrando a amplitude de temáticas e linguagens utilizadas pelas autoras, a juíza aposentada Lindalva Medeiros conta de forma resumida sua trajetória, entre reflexões sobre como sua condição de mulher moldou as situações de sua vida.
Vindo de uma família pobre e numerosa, enfrentando os percalços e obstáculos tanto econômicos quanto de gênero, assumiu a magistratura em 1982 mas nem sempre conseguiu o respeito almejado, como conta em seu artigo, onde um homem se recusou a cumprir uma ordem judicial pois “nunca tinha obedecido ordens de mulher”.
Outra profissional da Justiça que conta sua história, de forma resumida, é a desembargadora Zeneide Bezerra, que durante sua trajetória enquanto magistrada tentou aproximar a Justiça, por vezes fria e distante, da população.
Desembargadora aposentada Zeneide Bezerra, primeira presidente do Feminina, iniciou publicação de livros sobre as mulheres na Justiça estadual
Entre artigos científicos sobre questões de gênero no Poder Judiciário, homenagens e testemunhos de vida, “Elas no Judiciário – Além dos Autos” traz um pouco da multiplicidade de ser mulher, a partir delas mesmas.
A publicação está disponível para leitura no site do Tribunal de Justiça do RN de forma gratuita, em formato PDF.
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