Num dia em que o esporte do Rio Grande do Norte ainda chora a perda da paratleta Joana Neves, que faleceu na madrugada de segunda-feira vitimada por uma parada cárdio-respiratória, o Estado e os potenciais patrocinadores dão sinais de que pouco aprenderam com as lições deixadas pela nossa grande campeã, que para atingir o nível de uma das melhores atletas do mundo, teve de superar as mesmas adversidades que jovens como Josemberg Vicente e Alef Gabriel Lima da Silva enfrentam atualmente para poder levantar recursos para disputar o Torneio Professor Edvaldo Prado de Natação, na cidade de Fortaleza, no período de 22 a 24 de março.

Enquanto Josemberg Vicente conta com o apoio da mãe para fazer biscoitos e bolos para vender na porta do shopping e tentar levantar os recursos para bancar os custos que podem chegar a R$ 2 mil por viagem, Alef Gabriel, que também disputa uma vaga na seleção brasileira e necessita atingir o índice exigido para integrar a equipe em competições que pontos para o ranking nacional, tenta conseguir o dinheiro através da realização de rifas e ajudas que possam aparecer, através de amigos e parentes.

“Josemberg Vicente e Alef Gabriel dividem a mesma aflição nas vésperas das competições, a incerteza de levantar os recursos para poderem viajar. Além da rifa, com 100 números, onde estamos sorteando uma sanduicheira e vendendo o bilhete a 10 reais, eu também costumava fazer bolos para vender. Mas desde o final do ano passado venho enfrentando um problema de saúde que está me impedindo de fazer uma série de coisas. Então essa rifa está sendo a nossa maior aposta no momento”, disse Zilda Maria de Lima Silva, mãe de Alef.

O garoto de 13 anos é da categoria especial, por sofrer do transtorno do espectro autista (TEA) e ter sido diagnosticado com outros 8 tipos de patologia que não impedem o menino de ter uma vida ativa, tanto dentro das piscinas quanto na escola, onde cursa o oitavo ano. Alef Gabriel já está no mundo das competições há três anos e a falta de recursos para manter o garoto em nível de disputa, é ainda a maior barreira da família.

“Alef é medalhista paraolímpico em duas paraolimpíadas escolares trazendo no peito duas medalhas de bronze, duas prata e uma de ouro. Aqui no nosso estado em competições locais, ele também possui um bom leque de conquistas. No total já são 13 medalhas, que ele faz questão de manter num lugar de destaque da casa. O que me deixa mais aflita é que não conseguimos nenhum patrocínio ou alguma ajuda de custo que venha a nos ajudar nas despesas dessa viagem que já está em cima da hora”, afirmou Zilda.

Assim como a própria Joana Neves, que Zilda Maria conhecia bem e lamentou muito a passagem da paratleta, cuja determinação passou a servir de exemplo para os demais paratletas do RN, o contato de Alef Gabriel com a piscina ocorreu como terapia, por recomendação médica.“Meu filho compete na área intelectual, mas também poderia ser na física porque ele sofre de osteomielite na perna esquerda. Uma deficiência que, às vezes, causa a dormência nos membros inferiores. A doença não tem cura e a fisioterapia e a natação ajudam na calcificação óssea e para diminuir as dores e a dormência da perna. Se os exercícios não ajudassem e a doença chegasse a medula, Alef poderia perder os movimentos dos membros inferiores. Quem puder nos ajudar o pix é (84) 98709-9717.”, explicou Zilda.

Tribuna do Norte

Limpa Mil