A noite de segunda-feira (23) entrou para a história de Minas Gerais como uma das mais devastadoras já registradas no estado. Até a tarde desta quinta-feira (26), foram constatados 59 óbitos e 13 desaparecidos nas cidades de Ubá e Juiz de Fora, atingidas por fortes chuvas que provocaram deslizamentos e enchentes.

Dois dias após o temporal, na quarta-feira (25), um nova chuva se espalhou pelos municípios. Agora, o cenário atual é de completa destruição, com ruas cobertas por lama, casas destelhadas, móveis espalhados e bairros marcados pelo luto.

Ao todo, mais de 3.500 pessoas estão desabrigadas ou desalojadas. Diante da gravidade, as cidades decretaram estado de calamidade pública, e o governo acionou um plano de contingência.

Além das perdas materiais, moradores seguem buscando por parentes e amigos desaparecidos. A CNN Brasil conversou com os sobreviventes que tentam, em meio aos escombros, reconstruir o que restou.

“A gente luta tanto para conquistar e vem isso e acontece”

A repórter Raquel Amorim conversou com o Victor Sinfrônio, morador de Juiz de Fora, que ainda tenta limpar a rua onde vive, enquanto observa o próprio carro tomado pela lama.

Passava todo dia em frente a minha casa. Ela estudava aqui no colégio aqui, inclusive é sobrinha de uma conhecida minha, entendeu? É, foi muito triste ver minha família e meus amigos procurando o corpo e encontrar ela dessa forma que encontrou aí.

Victor Sinfrônio, sobrevivente

“Foi triste procurar o corpo de uma menina de 6 anos”

Victor conhecia uma das vítimas que morava em frente à sua casa, no bairro Três Moinhos. Ela tinha apenas seis anos e foi uma das vítimas da tragédia. Ele conta que ele e seus vizinhos ajudaram a procurar o corpo da criança, que não resistiu e faleceu.

A gente luta pra caramba para conseguir conquistar alguma coisinha e isso aí vem e acontece. Aí hoje estamos aqui para tentar limpar a rua enquanto não chove mais e tirar meu fusca de qualquer jeito. Agora é viver um dia após o outro, tentar reconstruir a vida, né? A gente não estava acreditando que isso ia acontecer

Victor Sinfrônio, sobrevivente

“Saiu só com a roupa do corpo”

Dona Maria Aparecida deu o seu relato e relembrou que a região já sofreu com enchentes anteriores, mas diz que a cena atual é ainda pior.

Uns 4 anos atrás, mais ou menos, a rua Roses Feira, ela desabou em cima do dos fundos do lado de cima da minha rua, do fundo das casas. E entrando muita lama, muita árvore na casa deles e tudo, eles foram obrigados a sair de casa com a roupa do corpo. Então eles ficaram longe, fizeram obra, mas agora com essas chuvas desabou tudo de novo o barranco e eles saíram de casa de noite, na noite de segunda-feira com a roupa do corpo e sem previsão de voltar

Dona Maria Aparecida, sobrevivente

“Ele perdeu tudo”

A ainda em conversa com a repórter, Dona Maria relata que seu vizinho saiu de casa muito abalado. Ele havia acabado de comprar um carro novo e iria fazer o seguro no dia seguinte, mas o veículo foi perdido com a devastação de Juiz de Fora.

É, tem um vizinho que eu não cheguei a conversar com ele porque ele tá muito abalado, que ele saiu de casa, deixou a casa toda aberta com a esposa, duas crianças, o pai que mora embaixo e os carros na garagem foram todos soterrados e foi aí, os vizinhos estão falando que ele tinha comprado um carro novo e que o carro foi, ele perdeu o carro dele. Ele falou assim: “No dia seguinte eu vou fazer o seguro. Vou deixar na garagem, no dia seguinte vou fazer o seguro.” O carro foi perdido com a chuva

Dona Maria Aparecida, sobrevivente

“Senti que estava soterrada”.

Caetano Soldati e a filha, Michele, também precisaram deixar a própria casa. O barranco cedeu e a família saiu às pressas.

Eu senti que estava sendo soterrada. O medo foi tão grande que minha cabeça não consegue separar que a gente não está bem.

Michele Soldati

Buscas continuam

Em entrevista à CNN, o tenente-coronel Wenderson Marcelino, coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, informou que mais de 600 profissionais estão envolvidos nas operações de resgate nas áreas afetadas, especialmente nas cidades de Juiz de Fora e Ubá.

“O problema principal hoje é a busca pelas pessoas que ainda estão desaparecidas. O Corpo de Bombeiros segue nos trabalhos de busca ao longo do dia de hoje na tentativa de conseguir localizá-las o mais rápido possível”, explicou Wenderson Marcelino.

CNN

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