O Ministério da Saúde assinou, nesta segunda-feira (2), a ordem de serviço para a construção da primeira Unidade Básica de Saúde Indígena do Rio Grande do Norte. A nova estrutura será implantada no município de João Câmara, na aldeia Amarelão, e deve beneficiar mais de 5,4 mil indígenas.

Primeira UBS indígena do RN será em João Câmara

A unidade será do tipo II e contará com investimento aproximado de R$ 1 milhão do Governo Federal. A ordem de serviço foi assinada pelo secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, durante agenda oficial no município.

Com isso, o estado passa a integrar, de forma inédita, a rede nacional de estruturas próprias voltadas à saúde indígena.

Atendimento indígena em território sem DSEI

Além disso, a UBS indígena no RN será implantada em um território que não possui Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI).

Segundo o Ministério da Saúde, é a primeira vez que uma unidade desse tipo é construída em uma região sem DSEI próprio.

Para viabilizar o atendimento, a Secretaria de Saúde Indígena estruturou o DSEI Potiguara, da Paraíba, que ficará responsável pela organização das equipes que irão atender as comunidades no Rio Grande do Norte.

Quatro etnias serão atendidas

A nova unidade vai atender indígenas de quatro etnias que vivem de forma tradicional na região:

  • Tapuia Paiacu;

  • Tapuia Tarairiú;

  • Potiguara;

  • Caboclos do Açu.

A UBS indígena será construída na aldeia Amarelão, localizada em João Câmara, na região do Mato Grande.

RN passa a integrar mapa nacional da saúde indígena

Com a implantação da unidade, o Rio Grande do Norte passa a contar, pela primeira vez, com uma estrutura própria de saúde indígena.

Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa garante atendimento indígena em todos os estados do país.

De acordo com o secretário Weibe Tapeba, a medida representa uma reparação histórica para povos indígenas que, segundo ele, foram negligenciados em gestões anteriores.

“É a consolidação da luta desses povos pelo direito a uma atenção à saúde indígena integral e diferenciada”, afirmou.

Planejamento começou em 2024

O planejamento para a implantação da UBS indígena no RN teve início em 2024.

Naquele ano, foram realizados o cadastramento das famílias em todas as aldeias da região e a estruturação da rede de atenção primária à saúde indígena no estado.

Em 2025, profissionais exclusivos passaram a ser contratados para atuar diretamente nessas comunidades.

Para 2026, o Ministério da Saúde prevê novas ações voltadas à logística e à infraestrutura.

Criação de um DSEI no RN está em estudo

Paralelamente, a criação de um Distrito Sanitário Especial Indígena no Rio Grande do Norte está em discussão.

O tema é analisado por um Grupo de Trabalho instituído pela Secretaria de Saúde Indígena em outubro de 2025.

O grupo realiza estudos para identificar territórios que precisam de reestruturação dos DSEIs, considerando critérios territoriais, populacionais, epidemiológicos e socioculturais.

Entre os pontos avaliados estão:

  • população atendida;

  • extensão territorial;

  • infraestrutura disponível;

  • recursos humanos;

  • acessibilidade;

  • viabilidade administrativa e orçamentária.

A criação de um novo DSEI depende, ainda, da definição de limites territoriais e etnoculturais, estudos populacionais e epidemiológicos e análise da disponibilidade de orçamento.

Ponta Negra News

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes