O petróleo segue como um dos principais vetores da economia global, mesmo em meio à transição energética e à expansão de fontes renováveis. Além de determinar custos de transporte e produção industrial, as reservas de petróleo moldam estratégias geopolíticas, alianças internacionais e disputas por influência. Um olhar sobre os países que concentram as maiores reservas provadas ajuda a entender como se organiza o tabuleiro energético mundial — e por que algumas regiões continuam no centro das atenções.

A seguir, o AGORA RN analisa os principais detentores de reservas de petróleo bruto, com destaque para os seis líderes globais e para áreas estratégicas fora do ranking tradicional, como o Alasca e a Groenlândia, que ganham relevância no debate energético e geopolítico.

Venezuela: O gigante das reservas e o paradoxo produtivo

A Venezuela concentra as maiores reservas provadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a aproximadamente 17% do total global. A maior parte desse volume está localizada na Faixa Petrolífera do Orinoco, composta majoritariamente por petróleo extrapesado, cuja extração e refino exigem tecnologia sofisticada e alto investimento.

Apesar da abundância, o país produz muito aquém de seu potencial. Em 2025, a produção ficou em torno de 900 mil barris por dia, reflexo de sanções internacionais, deterioração da infraestrutura e falta de capital. A estatal Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA) perdeu capacidade operacional ao longo de décadas, e parcerias pontuais com empresas estrangeiras, como a americana Chevron, têm sido insuficientes para uma retomada estrutural do setor.

Arábia Saudita: Reservas abundantes e poder de mercado

Na segunda posição global, a Arábia Saudita detém cerca de 267 bilhões de barris em reservas provadas. O coração dessa riqueza está na Província Oriental, onde se localiza o campo de Ghawar, o maior campo terrestre de petróleo do planeta.

A estatal Saudi Aramco é o pilar da estratégia energética do reino e uma das empresas mais valiosas do mundo. A produção saudita gira em torno de 9 milhões de barris por dia, com forte presença nos mercados asiáticos. Além do volume, o país exerce influência decisiva sobre os preços internacionais como líder da OPEP+, atuando como fiel da balança entre oferta e demanda.

Irã: Riqueza sob pressão geopolítica

O Irã ocupa o terceiro lugar, com reservas estimadas em 208,6 bilhões de barris, concentradas principalmente no sudoeste do país. Campos como Ahvaz e Marun figuram entre os maiores da região.

As sanções internacionais limitam investimentos e acesso a tecnologia, restringindo a capacidade produtiva e de refino, hoje em torno de 2,1 milhões de barris por dia. Ainda assim, o país mantém peso estratégico, tanto pelo volume de reservas — cerca de 12% do total mundial — quanto por sua posição geográfica, próxima ao Estreito de Ormuz, rota crítica para o comércio global de energia.

Canadá: A força das areias betuminosas

O Canadá aparece na quarta posição, com cerca de 171 bilhões de barris em reservas provadas. Diferentemente de outros grandes produtores, 97% desse volume está nas areias betuminosas de Alberta, nas regiões de Athabasca, Cold Lake e Peace River.

A extração é mais cara e intensiva em energia, o que levanta questionamentos ambientais e regulatórios. Ainda assim, o país figura entre os maiores produtores globais e exporta a maior parte de seu petróleo para os Estados Unidos, integrando profundamente os mercados norte-americanos de energia.

Iraque: Riqueza abundante em ambiente instável

Com mais de 145 bilhões de barris em reservas provadas, o Iraque ocupa a quinta posição. Campos gigantes como Rumaila e West Qurna, no sul do país, sustentam uma produção de cerca de 4,5 milhões de barris por dia, tornando o país um dos maiores produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

O petróleo responde por parcela expressiva da receita pública iraquiana, mas a instabilidade política, gargalos logísticos e desafios de segurança dificultam a expansão da produção. O governo busca atrair investimentos estrangeiros e elevar as reservas provadas para patamares superiores a 160 bilhões de barris.

Emirados Árabes Unidos: Eficiência e diversificação

Na sexta colocação, os Emirados Árabes Unidos possuem cerca de 113 bilhões de barris em reservas, concentradas majoritariamente em Abu Dhabi. A estatal Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) tem apostado em eficiência operacional e inovação tecnológica para ampliar a produção, que pode chegar a 3,5 milhões de barris por dia até 2028.

Ao mesmo tempo, o país investe fortemente em energias renováveis e projetos de transição energética, buscando reduzir a dependência do petróleo sem abrir mão de sua relevância no mercado global.

Alasca: O petróleo que mudou a geopolítica dos EUA

Fora do ranking dos maiores detentores globais, o Alasca ocupa papel simbólico e estratégico. O território foi comprado pelos Estados Unidos da Rússia em 1867, por US$ 7,2 milhões — acordo que, à época, foi ridicularizado, mas que se revelou decisivo décadas depois.

A descoberta de petróleo no North Slope, nos anos 1960, transformou o Alasca em um dos principais polos energéticos americanos. Embora suas reservas sejam menores em escala global, o petróleo alasquiano reforça a segurança energética dos EUA e mantém importância estratégica, sobretudo em um contexto de disputas no Ártico.

Groenlândia: A fronteira energética do futuro

A Groenlândia, que pertece à Dinamarca, ainda não figura entre os grandes produtores, mas desperta crescente interesse. Estudos geológicos indicam potencial para petróleo e gás na região, especialmente offshore – do inglês, “longe da costa”. As condições climáticas extremas, os altos custos e restrições ambientais tornam a exploração economicamente incerta no curto prazo.

Ainda assim, com o degelo do Ártico e o avanço tecnológico, a Groenlândia passou a integrar o debate geopolítico sobre energia e minerais estratégicos, sendo vista como uma possível fronteira energética de longo prazo — não apenas para os Estados Unidos, mas também para Europa e Ásia.

Mesmo sob a pressão da transição energética, as reservas de petróleo continuam a definir poder econômico e influência internacional. Do Orinoco ao Golfo Pérsico, das areias canadenses ao Ártico, o mapa do petróleo revela que a segurança energética global seguirá, por décadas, profundamente ligada à geopolítica do barril.

Agora RN

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