A relação negativa entre noites mal dormidas e o rendimento no trabalho já é conhecida, o que se torna ainda mais problemático quando envolve o burnout, a Síndrome do Esgotamento Profissional. O estado de exaustão física e emocional provocado por esse distúrbio tem uma ligação estreita com a qualidade do sono. Muitos brasileiros relatam sintomas, e pesquisas mostram que as pessoas diagnosticadas não dormem tempo suficiente. Com mais de 30% de casos, o Brasil é vice-líder mundial em incidência da síndrome, perdendo apenas para o Japão.

O sono de qualidade é uma das principais ferramentas do corpo para regular o hormônio do estresse (cortisol) e reconstruir a resiliência emocional; a privação de sono se torna um combustível direto para o burnout. “A privação de sono contribui para o aumento do estresse, tanto físico quanto psicológico. Como o burnout está relacionado ao estresse, esse sono pouco reparador irá contribuir para a piora do quadro”, afirma Emerson Arcoverde, professor da UFRN e médico psiquiatra do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL).

O estresse crônico relacionado ao trabalho interfere nos mecanismos neurobiológicos do sono. Emerson explica que o sono é um regulador natural dos mecanismos antiestresse do corpo, como a liberação de cortisona, uma substância anti-inflamatória. “Esse ciclo do cortisol é alterado pelo estresse crônico, quando o corpo passa a lidar de maneira mais errática com o estresse, e isso altera a liberação do cortisol”, diz.

É possível afirmar que os distúrbios do sono são causa e também consequência do burnout, ressalta o médico. “O sono de má qualidade tanto pode ser uma consequência de um quadro de burnout como pode ser um fator que contribui para a instalação e manutenção da síndrome”, diz. Ressalta-se que o burnout não tem relação com fraqueza ou despreparo, mas com situações que ignoram os limites humanos.

Quando o burnout se faz presente, há algumas alterações específicas no sono. Emerson Arcoverde aponta sinais como insônia, dificuldade para conciliar o sono — muito associada a sintomas ansiosos —, que podem surgir junto com o burnout; sono fragmentado ou pouco reparador, assim como despertares precoces, esses mais relacionados com sintomas depressivos, que também podem estar presentes nos quadros da síndrome.

O estado de exaustão caracterizado pelo burnout traz sintomas como cansaço persistente, exaustão extrema, irritação intensa, dificuldade de concentração, esgotamento físico e sono desregulado. A falta de sono intensifica esses sintomas clássicos da síndrome. “O papel reparador do sono e regulador do estresse é essencial para o alívio desses sintomas do burnout”, enfatiza.

Tribuna do Norte

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