
A receita das atividades turísticas do Rio Grande do Norte avançou 6,8% entre janeiro e março deste ano, segundo análise do Instituto Fecomércio RN (IFC), elaborada com base na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE. O desempenho potiguar foi sete vezes superior à média nacional, de 0,9%, e levou o estado à liderança no Nordeste. Entidades do setor comemoram o resultado, mas apontam que é preciso superar desafios estruturais e ampliar investimentos na atividade.
O turismo potiguar fechou o trimestre com a segunda maior expansão do país, atrás apenas do Rio de Janeiro (8,4%). De acordo com o IFC, segmentos como restaurantes, hotelaria e serviços de alimentação (catering) contribuíram para o resultado.
Além disso, a PMS aponta que o volume de atividades turísticas do RN registrou o segundo maior crescimento do país em março, em comparação a fevereiro. Na série com ajuste sazonal, o estado avançou 1,3%, atrás do Rio Grande do Sul (1,4%). Já em relação a março de 2025, o turismo potiguar teve alta de 7,3%, afirma o IBGE.
O cenário do turismo potiguar foi debatido durante o Innovation Day, da Fecomércio-RN, no último dia 15, no painel “Vem Turismo”, em Natal. Edmar Gadelha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do RN (ABIH), avalia que o setor vive um momento positivo, mas que precisa de mais investimentos.
“O RN ainda investe muito abaixo de estados concorrentes diretos do Nordeste em promoção turística institucional”, aponta. “O investimento do Governo do Estado em turismo no ano passado foi de cerca de R$ 8 milhões, com incremento de mais R$ 3 milhões provenientes de emenda [parlamentar], enquanto Alagoas investiu aproximadamente R$ 100 milhões no setor”, diz Gadelha.
Para o coordenador da Câmara Empresarial do Turismo da Fecomércio-RN, George Costa, o aumento da conectividade aérea contribuiu no resultado do primeiro trimestre. “Vieram muitos voos extras em janeiro, e esse trabalho tem que ser contínuo”, afirma. “Se nós conseguirmos ter mais conectividade aérea e mais investimento em promoção, temos capacidade de absorção desses clientes”.
Raoni Fernandes, presidente da Empresa Potiguar de Promoção Turística (Emprotur), pontua que o RN adotou uma estratégia de marketing 360º nos principais lugares de onde vêm os turistas, “apresentando um novo posicionamento do destino enquanto marca, com uma perspectiva mais verde”. Ele explica que o visitante estrangeiro fica mais tempo no destino e gasta mais.
Superar desafios
George Costa avalia que o RN ainda desperdiça oportunidades em seu potencial turístico devido, por exemplo, a entraves burocráticos. Ele cita como casos o potencial econômico ainda não totalmente aproveitado da Via Costeira, em Natal, e as burocracias do licenciamento ambiental para empreendimentos no Litoral Norte do estado.
“O nosso principal produto é sol e mar, e esse produto fica localizado em áreas que têm um potencial ambiental forte para ser explorado, [de forma] sustentável”, diz. Para Costa, também é preciso melhorar estradas, reforçar a segurança pública, especialmente em cidades litorâneas, e ampliar a conectividade aérea de forma contínua.
Já Gadelha defende que é preciso investir mais em promoção turística, pois ela tem “retorno direto em arrecadação, empregos e movimentação econômica”. Ainda conforme Gadelha, o setor impacta cerca de 70 atividades econômicas. “O setor precisa de segurança jurídica e ambiente favorável para investimentos. O empresário só amplia sua operação quando existe previsibilidade econômica e institucional”.
Na visão dele, a PMS mostrou que o turismo potiguar tem capacidade de reação e competitividade. “Existe demanda, interesse do mercado e fortalecimento da atividade no estado, mas é importante destacar que crescimento pontual não significa consolidação definitiva. O setor ainda enfrenta forte sazonalidade, custos operacionais elevados e necessidade permanente de novos investimentos”.
A Emprotur cita como desafios o estímulo à interiorização do turismo, com destinos estruturados para receber visitantes, e o crescimento de forma sustentável. “Mudamos nosso posicionamento de destino enquanto marca, valorizando o branding, hoje desenhado com uma perspectiva mais verde […] e com uma infraestrutura acolhedora”, afirma Fernandes.
Ele explica que, além do orçamento estadual, o investimento na promoção turística conta com recursos via convênios, emendas e parcerias com o trade turístico. A Emprotur afirma que, com inteligência de mercado, otimiza investimentos e recursos.
Ampliação da conectividade aérea
Segundo a Emprotur, o Governo do RN deu prioridade ao aumento da conectividade aérea ao ampliar a estratégia de captação de novos voos a partir da política de ICMS do QAV (querosene da aviação).
Como resultado, Fernandes cita o exemplo da Argentina. Dados da Agência Nacional da Aviação Civil apontam para um crescimento de 313,2% no fluxo de passageiros entre o RN e a Argentina, de janeiro a abril de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram 47.869 viajantes no primeiro quadrimestre deste ano, ante 11.585 em 2025.
Além disso, houve um aumento de 339,3% em assentos disponíveis, passando de 12.558 para 55.172; e de 313,7% no número de voos, que saltaram de 73 para 302 operações no período.
Tribuna do Norte
