
A região do Seridó vive um momento especial quando o assunto é inovação. As ações desempenhadas pelo ecossistema Vale do Seridó, de Currais Novos, vem sendo reconhecidas em âmbito regional e até nacional, acumulando premiações pelo trabalho desempenhado nos últimos quatro anos. Com colaboração de atores dos mais diversos segmentos, as ações transbordaram os limites do município e possuem impacto regional.
De acordo com a governança do ecossistema, a estimativa é que os recursos captados no período se aproximem dos R$ 50 milhões, fortalecendo iniciativas em várias frentes.
Esse valor contempla investimentos no desenvolvimento do território e em suas startups nele inseridas. São recursos obtidos em editais de instituições públicas e privadas, sendo a maior porção o que significou a instalação do Centro de Tecnologia Mineral, no campus do IFRN. Com articulação do Consórcio Nordeste, foram destinados R$ 40 milhões para o CT, visando ampliar pesquisas avançadas em minerais críticos, passando a ser o primeiro polo Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) do Rio Grande do Norte e o primeiro na área de tecnologia em mineração do Brasil.
Ainda no IFRN está o EmbarcaTech, programa nacional que teve aporte de R$ 8 milhões para turmas de residência tecnológica em Natal e em Currais Novos, único município do interior a contar com a formação tecnologia em sistemas embarcados. O intuito das ações, segundo a governança do ecossistema, é criar um ambiente que faça com que os talentos produzidos na região não deixem o território, continuando a produzir desenvolvimento na área onde conquistaram esse conhecimento.
“O nosso sonho é que eu não precise perder esse indivíduo para fora. Quero gerar oportunidade para você aqui. Nosso sonho é promover condições para evitar essa ‘fuga dos cérebros’, que é a saída dessas pessoas da nossa região”, analisa Edinete Nascimento, analista técnica do Sebrae e integrante da governança do Vale do Seridó desde a fundação do ecossistema.
Os demais recursos foram obtidos através de iniciativas como o programa Cidade Inovadora, a estratégia Catalisa Gov e recursos em eventos como o Startup Nordeste, quando quatro startups locais conquistaram mais de R$ 100 mil em recursos, além de mentorias para alavancar esses negócios. Existem exemplos práticos do retorno para a comunidade desse movimento.
Neste ano, uma ação do Laboratório de Pesquisa Allyson Amilcar Angelus (Laica), vinculado ao IFRN, surgiu como solução de uma necessidade da administração municipal: garantir a identificação da presença dos estudantes da rede pública através da tecnologia. Nasceu o “SmartEduc”, solução tecnológica que utiliza o reconhecimento facial aliado à Internet das Coisas (IoT) para o registro automatizado da frequência escolar. A solução é mais econômica para o poder público do que as disponibilizadas por empresas do mercado, o que significou em investimento para as próprias ações do laboratório.
O desenvolvimento da região vem chamando atenção de outros setores do Brasil. “Existe uma curiosidade de saber o que estamos fazendo aqui para obter resultados expressivos em tão pouco tempo”, comenta Edinete. Parte desse conhecimento é multiplicado com o recebimento de integrantes de outros ecossistemas ao município, ou em palestras de membros da governança em eventos pelo Brasil afora.
Prêmios
São três prêmios em apenas quatro anos de atuação. O mais recente, em abril, veio com o prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, que deu ao município o primeiro lugar no eixo Gestão Inovadora.
O poder público integra o ecossistema e avançou em todo o cronograma previsto, como elaboração de uma legislação própria sobre inovação, com uma lei municipal sobre o assunto, e uma coordenadoria instalada na Secretaria Municipal de Turismo e Desenvovimento Econômico para tocar as ações sobre a temática.
Em março, um mês antes, outra conquista. O ecossistema conquistou vaga na final do Prêmio Nacional de inovação (PNI) na categoria ecossistemas de pequeno porte. Foi a primeira vez que um ecossistema do interior do RN conquistou uma vaga na final.
Antes, no ano passado, a cidade conquistou o selo CSC: Ecossistemas de Inovação 2025. A premiação dada à Currais Novos foi a única realizada em um município do interior de toda a região Nordeste.
Tribuna do Norte
