A expansão da energia eólica no semiárido nordestino e seus impactos, vistos sob uma perspectiva sensível e poética, é o tema do filme “Filho do Vento”, um projeto de longa-metragem de ficção cujo roteiro está sendo desenvolvido com pesquisas entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba. A obra vai partir da observação das transformações provocadas por esse modelo de geração energética em territórios marcados por relações profundas entre comunidade, natureza e modos tradicionais de vida. O projeto está em fase de captação de recursos para iniciar as filmagens, com apoio do Edital de Fomento Audiovisual Potiguar.

“Filho do Vento” se propõe a mostrar como a instalação de usinas eólicas interfere não apenas na paisagem física, mas também nas dinâmicas sociais, afetivas e culturais das comunidades do interior potiguar e paraibano. Sem assumir um tom panfletário, segundo os roteiristas, o projeto busca refletir sobre a necessidade de que até mesmo fontes de energia consideradas limpas e sustentáveis respeitem protocolos ambientais, sociais e culturais, sobretudo em regiões sensíveis como a caatinga.

O roteiro do filme é assinado pelos cineastas Torquato Joel, Manoel Batista e Ed Junior. A pesquisa, realizada ao longo de 2025, priorizou o contato direto com moradores, a coleta de relatos e a observação das paisagens naturais e sociais, reunindo vivências que subsidiaram a construção de uma narrativa ficcional comprometida com a realidade dos territórios visitados.

Paisagens sociais

Foram realizadas viagens de pesquisa de campo voltadas à escuta das comunidades. Entre os pontos percorridos estão: Parelhas, com visitas ao Sítio Algodão e ao Sítio Várzea do Barro; Cerro Corá, passando pela Serra da Rajada (Casa de Pedra) e pela Serra Verde, onde se encontra um sítio arqueológico com geoformas; Lagoa Nova, na Comunidade Quilombola Macambira; Nova Palmeira (PB), na Comunidade Alagamar; e Santa Luzia (PB), com visitas aos complexos eólicos Canoas e Chafariz, além da Comunidade Quilombola do Talhado, abrangendo municípios do RN e da Paraíba.

Para além de ouvir e coletar as vivências das pessoas em suas comunidades, o projeto avançou para a fase de viagens de escrita, com reuniões de alinhamento criativo realizadas nos municípios de Caicó (RN) e Serra da Raiz (PB), etapa que resultou na elaboração do primeiro tratamento do roteiro, no aprofundamento dos personagens e do universo do filme, além da avaliação da viabilidade financeira da empreitada.

Tribuna do Norte
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