O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) informou hoje o início dos pagamentos aos investidores que tinham CDBs e RDBs, LCIs, LCDs, LCAs e LH relacionados à instituição.
O que aconteceu
Fundo Garantidor diz que o pagamento será feito a 800 mil investidores do Master. Em comunicado ao mercado, o órgão afirma que o total a ser pago em garantias será de R$ 40,6 bilhões — inicialmente, as estimativas apontavam o ressarcimento de R$ 41,3 bilhões a 1,6 milhão de credores.
Devolução será de, no máximo, R$ 250 mil por CPF ou CNPJ. O cliente tem direito a receber tanto o que investiu quanto os rendimentos até a data da liquidação. Caso a aplicação do investidor seja superior ao limite, a diferença ficará registrada como saldo remanescente no banco, com a possibilidade de ser paga com os ressarcimentos a outros credores.
Aplicativo do FGC enfrenta instabilidade após anúncio. Nos primeiros momentos após a divulgação de que o processo para os pagamentos seriam iniciados, o sistema do Fundo Garantidor indicava a falha e solicitava que os investidores retornassem “em alguns minutos”.
Resgate será o maior já liberado pelo FGC na história. A liberação anunciada representa o maior montante já pago após uma liquidação, superando a devolução de R$ 20 bilhões aos clientes do Bamerindus, após a intervenção realizada pelo Banco Central em 1997.
Pagamentos não ameaçam a liquidez do FGC. Dados de novembro de 2025 indicam que o fundo utilizado como garantia de solvência do mercado financeiro tem liquidez de R$ 125 bilhões. Com isso, o órgão destaca que, mesmo após a distribuição de quase um terço do total (32,5%), as reservas são “robustas” e “suficientes para suportar cenários severos de estresse de mercado”.
Eventuais golpes contra os investidores preocupam o órgão. O diretor-presidente do FGC, Daniel Lima, alerta que os credores precisam estar atentos às tentativas de golpe relacionados aos pagamentos. “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, afirma ele.
Saiba como solicitar
Para receber de volta os recursos, o investidor precisa se manifestar. Com a formalização da lista de credores, as pessoas físicas (CPF) devem solicitar a garantia diretamente pelo aplicativo do FGC; pessoas jurídicas (CNPJ) realizam o processo pelo site do FGC.
Pessoa física vai visualizar o valor que irá receber direto no aplicativo. Em seguida, será necessário assinar digitalmente um termo confirmando a solicitação do pagamento da garantia. Para as pessoas jurídicas, o documento é enviado diretamente a elas após a análise.
Desembolsos são formalizados em até dois dias úteis. Após a assinatura digital e a confirmação das informações, o dinheiro cai direto na conta cadastrada pelo investidor no sistema do FGC. Os valores, no entanto, estão com os rendimentos suspensos desde a liquidação.
Prejuízos
Aplicações dos investidores estão sem o rendimento desde 18 de novembro. Após a liquidação do Banco Master, os recursos em posse da instituição financeira foram bloqueados e os clientes perderam dois meses de rendimento.
Espera por FGC já deu prejuízo de mais de 2% a clientes do Master.Considerando um cliente que tinha R$ 100 mil aplicados em um CDB que oferecia 115% do CDI, por exemplo, a perda é de aproximadamente R$ 2.200, se considerados o Imposto de Renda e a inflação do período.
Liberação aos investidores do Master é a mais demorada desde 2013. O prazo é o maior desde as devoluções em razão da liquidação extrajudicial do Banco Rural. Na ocasião, o intervalo até os ressarcimentos levou três meses e seis dias. Na ocasião, o atraso para o início dos pagamentos é justificado pela movimentação judicial sobre a instituição.
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