Nas Lojas Americanas de Caicó, o cliente não compra apenas produtos: participa de um experimento climático. Na fila do caixa, onde o ar-condicionado misteriosamente não funciona, o calor é tão agressivo que os chocolates Milka, expostos no estande, já não são mais chocolates — viraram um líquido pastoso, derretido ainda dentro da embalagem. Alpino? Só se for derretido ao sol do Seridó.
A cena é constrangedora e cotidiana: funcionários pingando suor, clientes abanando recibo e cartão, e o Milka escorrendo como se tivesse sido colocado de propósito em banho-maria. O produto importado vira chocolate quente sem precisar de micro-ondas. Tudo isso para, ao que parece, economizar energia elétrica às custas do conforto — e da paciência — de quem trabalha e de quem paga.
A lógica da loja é simples: se o cliente já está ali preso na fila, que aguente o calor. Se o funcionário passa horas naquele inferno, problema dele. E o chocolate? Que derreta. Afinal, dignidade térmica não entra no mix de serviços. A experiência de compra vira um teste de resistência física, e o produto perde completamente a qualidade.
No fim, sobra ironia: em Caicó, o sol já dá conta do recado. Não era preciso desligar o ar-condicionado para provar isso. Mas as Lojas Americanas conseguiram ir além — derreter chocolate importado, paciência de cliente e respeito básico, tudo no mesmo caixa.

