Venezuela aprovou nesta terça-feira (23) uma lei que prevê penas de prisão de até 20 anos para quem promover ou financiar o que descreve como pirataria ou bloqueios.

A proposta, nomeada como projeto “Para Garantir a Liberdade de Navegação e Comércio contra a Pirataria, Bloqueios e Outros Atos Ilícitos Internacionais”, foi votada na Assembleia Nacional da Venezuela, controlada pelo partido do governo Nicolás Maduro, e aprovada por unanimidade.

Agora, ela será encaminhada ao Executivo para aprovação e entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial.

A lei, que inclui “outros crimes internacionais”, surge em meio às operações realizadas pelos Estados Unidos contra carregamentos de petróleo venezuelano.

No dia 10 deste mês, o governo americano apreendeu o primeiro petroleiro. A segunda interceptação confirmada por Washington ocorreu no dia 20, dias depois do presidente Donald Trump anunciar um bloqueio total a embarcações que estivessem saindo de portos da Venezuela.

Nas duas ocasiões, o governo venezuelano acusou os EUA de “pirataria”. Na segunda, afirmou que vai tomar “todas as medidas cabíveis”, incluindo buscar o Conselho de Segurança da ONU para prestar uma queixa.

Durante a sessão desta terça, o presidente da Assembleia, Jorge Rodríguez, que é aliado de Maduro, também fez duras críticas à oposição. Acusou María Corina Machado e seus aliados, que vem dando declarações de apoio às ações do governo Trump, de promover sanções contra a Venezuela e disse:

“Eles roubaram, saquearam e se curvaram ao imperialismo americano. Estão satisfeitos com as ações agressivas que estão ocorrendo atualmente no Mar do Caribe”.

 

Troca de farpas entre Trump e Maduro

Trump, que anunciou uma nova classe de navios de guerra batizada em homenagem a ele mesmo em um evento na Casa Branca, disse que a coisa “mais inteligente” que o venezuelano poderia fazer é renunciar. Questionado se seu governo quer tirar Maduro do poder, afirmou:

“Isso depende dele, do que ele queira fazer. Acho que seria inteligente de sua parte fazer isso [renunciar]. Se ele quiser bancar o durão, será a última vez”.

 

Já Maduro, durante uma feira de produtores venezuelanos, alfinetou o presidente americano e disse que ele “estaria melhor” se focasse mais em seu país, e não na Venezuela.

“Penso que o presidente Trump poderia fazer melhor em seu país e no mundo. Ele estaria melhor no mundo se focasse nos problemas do seu próprio país. Não é possível que 70% dos seus discursos e declarações sejam [sobre] a Venezuela. E os Estados Unidos?”, questionou ele.

A declaração de Trump ocorreu horas depois de sua secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmar que Maduro “tem que sair” do poder em uma entrevista à emissora americana Fox News.

Ao ser questionada sobre os petroleiros vindos do país que vem sendo interceptados pelos EUA, Noem afirmou:

“Não estamos apenas interceptando navios, mas também enviando uma mensagem ao mundo de que a atividade ilegal da qual Maduro participa não pode ser tolerada; ele tem que sair”.

 

Oficialmente, o governo Trump nunca confirmou que sua ofensiva militar na Venezuela tenha como objetivo uma mudança de regime. Desde agosto, quando começou a ofensiva militar no Caribe, o presidente Donald Trump e seus aliados afirmam que o foco é o combate ao narcotráfico e à entrada de drogas em território americano.

Ainda nesta segunda, as operações americanas foram alvo de críticas da Rússia e da China.

O governo chinês afirmou que a “apreensão arbitrária” de navios de outros países pelos Estados Unidos constitui uma grave violação do direito internacional. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, o país se opõe a todas as “sanções unilaterais e ilegais” dos EUA.

As Forças Armadas dos Estados Unidos também já realizaram uma série de ataques contra embarcações que supostamente eram usadas para o tráfico de drogas no Mar do Caribe e no Pacífico oriental. Destruíram cerca de 30 embarcações, e pelo menos 104 pessoas morreram nos ataques.

G1

Neuropsicopedagoga Janaina Fernandes