A Justiça arquivou temporariamente o processo envolvendo um morador de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, acusado de fabricar uma réplica de uma F-40, da Ferrari. Pela lei, réplicas podem configurar crime contra registro de marca.

A decisão de outubro é assinada pela juíza Rita de Cássia da Silva Junqueira Magalhães, da 2ª Vara de Cachoeira Paulista, e acata o requerimento da própria Ferrari.

Após vencer a disputa judicial contra o dentista José Vitor Estevam Siqueira, a montadora alegou no processo que tentou obter o valor da indenização, de aproximadamente R$ 42,3 mil, mas não conseguiu. Os advogados da Ferrari também tentaram localizar bens de Siqueira, mas, após “tentativas frustradas”, resolveram arquivar o processo.

O caso se arrastava na Justiça desde 2019, quando o dentista fez uma réplica do modelo de forma improvisada e colocou o protótipo à venda na internet, alegando dificuldades financeiras. A Ferrari, no entanto, descobriu e pediu a apreensão do veículo.

No processo, o dentista foi condenado a deixar de fabricar ou anunciar a venda de modelos que imitem a marca Ferrari e a pagar uma indenização por lucros cessantes (perda de receita) e danos materiais.

Durante a disputa judicial, o dentista também chegou a processar a montadora pedindo indenização de R$ 100 mil por danos morais, o que foi negado.

Ele alegou que teve que passar por tratamento psicológico, reflexo dos impactos sofridos pela exposição depois do caso ser exposto pela empresa e a réplica ser apreendida.

g1 acionou a defesa da montadora e aguarda retorno. A reportagem também segue tentando contato com a defesa de José Vitor Estevam. A matéria será atualizada caso as partes se manifestem.

Imagem de arquivo - Advogado da Ferrari no Brasil denunciou o dentista na delegacia em Cachoeira Paulista | Foto: Arquivo pessoal/Vitor Estevam
Imagem de arquivo – Advogado da Ferrari no Brasil denunciou o dentista na delegacia em Cachoeira Paulista | Foto: Arquivo pessoal/Vitor Estevam

Imagem de arquivo - Protótipo de Ferrari, em Cachoeira Paulista (SP) | Foto: Arthur Costa/TV Vanguarda
Imagem de arquivo – Protótipo de Ferrari, em Cachoeira Paulista (SP) | Foto: Arthur Costa/TV Vanguarda

Na ação apresentada na delegacia de Cachoeira Paulista, a marca alegou que o dentista criou o protótipo usando propriedade intelectual da empresa, no caso o design do carro, para obter lucro financeiro. Na denúncia, eles pediram que o veículo fosse conduzido para perícia e, caso fosse comprovado o crime, destruído.

Vitor explicou na época que colocou o carro a venda porque tinha um consultório odontológico, mas teve que parar de atuar depois que foi vítima de um furto em 2018. Na ocasião, todos os equipamentos foram levados. Por causa dos problemas financeiros, decidiu anunciar o veículo.

“Eu não estava conseguindo pensar na época, estava sem trabalhar. Eu tinha duas opções: uma que era vender a clínica e, a outra, vender o carro. Inicialmente, anunciei o carro, mas duas semanas depois recuei e acabei vendendo, na verdade, a clínica. Então apaguei o anúncio”, contou.

Pedido de indenização

No início de 2019, Vitor pediu que a montadora italiana pagasse a ele R$ 100 mil de indenização por danos morais.

No processo, o dentista alegou que teve prejuízo moral, já que trabalha como profissional liberal e depende do “bom nome” para o exercício da profissão. Alegou ainda que teve de ser submetido a tratamento psicológico, reflexo dos impactos sofridos pela exposição depois do caso.

O pedido era de indenização por danos morais, além das custas com o advogado que o representa no processo contra a empresa em R$ 12,5 mil. O pedido foi negado.

Imagem de arquivo - Protótipo foi levado para um pátio após apreensão | Foto: Arquivo pessoal/Vitor Estevam
Imagem de arquivo – Protótipo foi levado para um pátio após apreensão | Foto: Arquivo pessoal/Vitor Estevam

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