Uma ação de adoção de cães e gatos realizada neste sábado (25), em Natal, trouxe à tona um problema que vai muito além da comoção: o abandono em massa de animais nas ruas. A iniciativa, promovida Associação de Proteção aos Animais (Aspan), reforçou a importância da adoção responsável, mas também serviu como alerta para o que a representante da entidade chama de “epidemia silenciosa”.

“Estamos vivendo um descaso de décadas”, afirmou a publicitária Tatiana Apoluceno, integrante da associação. “Há uma epidemia de animais em situação de abandono, muitos deles doentes e com zoonoses. E o mais grave é que o Estado não dispõe de abrigos públicos”, afirma. Ainda segundo ela, a ausência de uma política contínua de acolhimento faz com que o trabalho de organizações protetoras de animais seja a única alternativa para os bichos resgatados das ruas.

Atualmente, somente a Aspan abriga quase 500 animais entre cães e gatos resgatados em situações de maus-tratos, atropelamentos ou abandono. Destes, mais de 100 estão disponíveis para adoção. “Recuperamos os que conseguimos, mas muitos ficam conosco para sempre, porque têm seqüelas, doenças crônicas ou traumas que os impedem de serem adotados. A eutanásia só é feita em casos de extremo sofrimento”, explicou Tatiana.

A Aspan atua há anos em eventos de adoção realizados em parceria com empresas e instituições, sempre com foco na adoção responsável. Na ação deste sábado, por exemplo, a parceria foi com a empresa Brisanet, na sua loja no bairro de Lagoa Nova. “A gente não entrega o animal e pronto, há todo um acompanhamento pós-adoção. Fazemos visitas, pedimos fotos e damos suporte caso o animal adoeça”, contou. Todos os pets doados pela associação são vacinados, vermifugados e, no caso dos adultos, castrados.

Tatiana Apoluceno: “O que nos sustenta é a solidariedade” | Foto: Alex Régis

O custo para manter o abrigo, no entanto, é alto e quase todo coberto por doações. “Somos uma associação sem apoio efetivo do governo. O que nos sustenta é a solidariedade das pessoas”, disse Tatiana. Além das doações de ração e medicamentos, a ONG também busca apoio por meio de emendas parlamentares e parcerias com empresas privadas para manter as atividades e melhorar a estrutura.

Tatiana destaca que a responsabilidade pela causa não deve recair apenas sobre as ONGs. “A população precisa entender que animal não é brinquedo, é um ser que sente dor, fome, frio e medo. E o poder público precisa assumir o seu papel de prevenir o abandono e garantir políticas permanentes para proteção animal”, enfatizou.

O evento na loja da Brisanet, em Natal, também integra a campanha “Brisamelo”, desenvolvida pela operadora em parceria com a Netflix para celebrar a estreia do filme Caramelo, que aborda justamente a adoção de animais. Segundo o diretor de Marketing da empresa, Jordão Estevam, a iniciativa busca unir entretenimento, responsabilidade social e conexão com as comunidades onde a empresa atua.

“Queremos celebrar essa campanha com uma mensagem de cuidado e responsabilidade social. Acreditamos no poder da conexão, não só por meio da internet, mas também entre as pessoas”, afirmou.

Além da adoção de pets, o público pôde doar ração e conhecer o trabalho contínuo da Aspan, que realiza ações semelhantes todos os fins de semana em parceria com outras empresas. No mesmo dia, por exemplo, iniciativa semelhante foi realizada no hipermercado Carrefour, na zona Sul. Para saber onde essas paradas são realizadas, basta acompanhar as redes sociais da associação.

Legislação busca ampliar proteção e conscientização

Tanto em Natal quanto no estado do Rio Grande do Norte, novas leis foram sancionadas neste ano com o objetivo de fortalecer a proteção animal e combater o abandono.

No âmbito municipal, foi criada a “Semana da Adoção, Proteção e Bem-Estar dos Animais”, no mês de dezembro, para estimular a guarda e proteção responsável dos animais, conforme as leis vigentes, além de discutir, propor e fiscalizar as ações do poder público e o cumprimento da legislação de proteção animal. Também busca incentivar a proteção e defesa dos animais chamados de estimação ou domésticos, bem como os animais da fauna silvestre, conscientizando sobre a necessidade de se adotarem os princípios da posse responsável e proteção ecológica dos animais, bem como promover a defesa dos animais feridos e abandonados.

Em nível estadual, a lei que instituiu a campanha “Fiel Companhia” reforça a necessidade de parcerias com ONGs, escolas e entidades privadas para promover a esterilização, adoção e combate ao abandono. O texto também prevê recursos orçamentários e campanhas públicas permanentes.

Tribuna do Norte

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