Entraves nos processos de licenciamento ambiental, bem como documentação pendente, são os principais fatores que atrasam a análise de pedidos de financiamento para produtores e empreendedores do setor agropecuário. Essa foi a explicação do superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, Jeová Lins, em entrevista ao programa Jornal da Manhã, da Rádio Jovem Pan News Natal desta segunda-feira (22). A verificação, segundo disse, demora cerca de 60 dias, mas, por situações assim, pode levar até 180 dias para ser concluída.
Por essa razão, Lins explicou que há bloqueios nas liberações de crédito. “Eu não posso fazer uma operação em uma área que será degradada. Essas empresas precisam ter o licenciamento e muitas vezes esbarram nisso. Em outros casos, falta uma escritura para a propriedade rural”, afirmou.
Além disso, ele relembrou que a agilidade na entrega dos documentos necessários pelos interessados no financiamento, influencia no tempo de espera. “Quanto mais completa estiver a documentação do meu projeto, mais rápido sai o projeto. Um projeto mais rebuscado precisa ter uma análise mais técnica. Temos histórico de crédito sendo realizado em 30 dias”, disse, apontando que o banco disponibiliza ferramentas para acelerar o processo, como o cadastro digital.
Quanto ao processo de atendimento e triagem das propostas de análise, o superintendente explicou que as solicitações não são obrigatoriamente centralizadas em seu estado de origem, sendo, em alguns casos, enviada para centrais em estados onde a demanda está menor. Ele alegou que essa medida é realizada para tornar o processo de verificação mais ágil. “Onde houver mais vagas para analisar, a esteira irá levar para aquele estado. Se o RN está com 50 propostas e Minas Gerais com 30, remanejamos para MG, por exemplo”, relatou.
Ele ressaltou que a documentação exigida pelo BNB no estado segue um padrão adotado em todo o país. O prazo para a conclusão das análises é motivo de descontentamento entre os empreendedores que reclamam da demora para conseguir determinados financiamentos, mas Jeová defendeu que esse período dura até 60 dias e que os casos mais prolongados são pontuais. “Temos 60 dias para analisar, contratar. Se atrasar, é acidente de percurso. E não ocorrem muitos acidentes, se não, não teríamos feito mais de 200 mil operações de crédito no RN, que custaram R$ 3,9 bilhões”, afirmou.
Renegociação
Até esta quarta-feira (24), clientes do BNB podem aderir às condições oferecidas pela instituição para renegociação de dívidas em atraso. Para parcelamentos, o vencimento fica para novembro de 2032, havendo ainda a regularização do cadastro junto ao Banco. Entre os públicos beneficiados, mais de 500 mil são agricultores familiares e pequenos produtores rurais.
Os benefícios estão sendo concedidos a pessoas físicas e jurídicas com dívidas contratadas com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) há mais de sete anos e que enfrentaram problemas para honrar as parcelas. Essas condições são válidas no âmbito da Lei 14.554. Enquadram-se os financiamentos realizados antes de 24 de abril de 2016 e que estão em situação de inadimplência desde 31 de outubro de 2021.
Ao aderir à campanha, o cliente tem seu saldo devedor recalculado com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Além disso, está sendo oferecido bônus de adimplência de até 50% sobre o valor principal renegociado. Ainda no caso de renegociação, os novos encargos serão os mesmos praticados para novas operações com recursos do FNE, e o pagamento será realizado em parcelas mensais (operações não rurais) e anuais (operações rurais). Em caso de quitação, os descontos são de 60% a 90%. Para isso, o pagamento precisa ser feito à vista.
Tribuna do Norte

